quarta-feira, 5 de maio de 2010

Perguntas.







Da alegria do primeiro ollhar
Encontro forças para caminhar
As primeiras palavras ainda ecoam
Não me canso de as recitar.

As minhas mãos vazias
Calejadas do carregar
Agora livres
Como estrelas
Riscando o céu ao luar

Um novo perfume
Sinto ao respirar
Por que tanto tempo escondido?
Já cansei de me perguntar.

E um dia
Talvez hoje, talvez amanhã
Ontem
Certeza que não.
Um dia
Ao cair do luar
Sentarei debaixo das árvores
Frutos e histórias 
Muitas para contar.

Um dia
Com as mãos vazias
Livres
Sentarei ao luar
Abrirei minha boca
Para simplesmente perguntar:
Por que me deste aquele primeiro olhar?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Morte de cruz

Sofreu sozinho
Viramos o nosso rosto
Abandonamos sua sombra
Olhamos para nós mesmos.

Sofreu sozinho
A terra gemeu ao receber seu sangue
O sol apagou em luto
Nuvens cobriram os céus
Seu único manto real.

Sofreu só
Distante do pai
Humilhado pelo mundo
Abandonado por nós.

Sofreu
Morrendo só
Distante dos seus
Distante por nós.

Sofreu
Padeceu
Sofreu por mim
Sofreu por você.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Reino de Amigos

No reino de amigos
Nosso foco é o outro
Nosso caminhar é em direção ao outro
Nossas preocupações são as do outro
Nossas vidas
Servem o próximo.

No reino de amigos
Não desisitimos facilmente
As barreiras nos movem
Criam novas maneiras
De alcançarmos o outro
De ajudarmos o próximo.

No reino de amigos
Não há riquezas
Não há propriedade privada
Nosso suor é em favor do outro
Nosso trabalho abençoa
Abençoa o próximo.

No reino de amigos
Perdoamos
Libertando o outro
Criando uma nova oportunidade
Sem cobrança
Sem prisão
Caminho de liberdade com o próximo.

No reino de amigos
O outro
É uma extensão de nossa própria humanidade
Seu abraço nos aquece
Com nossas mão o servimos.
E seu sorriso
É o nosso.

No reino de amigos
O amor transborda
O amor alcança
O amor abençoa
E todos ao redor
Glorificam nosso maior Amigo.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Canto

Canto uma canção
Que rompe
Dentro do peito
Entregue, rendido

Canto afinado
Conduzido pela luz
Conduzido pelas notas
Um dia reveladas

Canto sim
Morto estaria
Sem canto
Não há vida

Canto surpreso
Ouvindo ao redor
Tantas vozes
Que amo
Que conheço
E amam
A mesma canção.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Christlessness heart (Um coração sem Cristo)


Dentro do peito
Uma dor
Um vazio

Dentro do peito
Dor
Vazio
Distância

Dentro do peito
Saudade
Da paz, da alegria, do contato, do amor

Dentro do peito
Um ser incompleto
Um ser desumanizado
Preso

Dentro do peito
Um grito
Uma voz de socorro
Gritando
HABITE EM MIM
Abri a porta.....

terça-feira, 16 de março de 2010

Série: Encontros



Que alegria
Que paz
Que mistério

Um encontro
Uma procura
Um plano não meu
Preparado antes do início
Para eu não ser fim

Fui achado
No meio de tudo e de todos
No meio do pó da terra
Fui chamado
Ele sabia meu nome, meu endereço, minha fragilidade.

Fui amado
Limpo
Iluminado
Feito dia
Deixando para trás
A noite escura

Hoje
Que alegria
Que paz
Que mistério
Meu  hoje é eternidade
Meu fim é início
Caminho amando
Sentindo-me amado.

terça-feira, 9 de março de 2010

Nas mãos

Nas mãos
Marcas
Do duro trabalho
No corpo o reflexo
Dos dias sem conta
De suor
De sofrimento


Nas mãos
Marcas
Cortes, queimaduras, picadas
Cicatrizes
Revelam a alegria
Do pão conquistado


Nas mãos
Marcas
O coração ardendo
Longe do colo materno
Distante dos abraços
Amigos

Nas mãos
Marcas
No coração
Dores da distância
Nos olhos
Sonhos


Sonhos
Acompanhar o vôo das aves,
Contar os lírios do campo
Casa, amigos
Comida e artigos
Frutos
Do dias sem conta
De suor
De sofrimento.

FOTO: PAULO PEDRAZZINI